Desde que comecei a trabalhar com gestão predial e regularização, sempre me chamou a atenção a quantidade de vezes que as pessoas olham para medidas de segurança contra incêndio como algo “distante”. Acreditam que basta instalar um extintor novo para resolver tudo. Mas, na realidade, existe muito além da instalação de equipamentos. Na minha experiência, é a formação de uma equipe preparada e o entendimento correto das regras que trazem tranquilidade e proteção real, tanto para empresas quanto em condomínios residenciais.
A origem das brigadas e o legado de Edimburgo
Quando reflito sobre como as equipes internas se tornaram tão estratégicas, logo lembro da história da primeira equipe organizada de combate a incêndio, em Edimburgo, no século 19. Eles já percebiam que, para enfrentar situações de perigo real, era necessário mais que coragem: era preciso preparação contínua, equipamentos em ordem e uma rede de colaboração.
O combate a incêndios exige pessoas, processos e apoio mútuo, algo que atravessa gerações e fronteiras. Desde Edimburgo, as práticas evoluíram muito, incorporando normas e tecnologia, mas a essência – pessoas treinadas e comprometidas – permanece.
Por que formar uma equipe treinada faz diferença?
Muitos gestores ainda subestimam o fator humano. Por vezes, vejo empresas apostando apenas na automação ou contratando soluções de terceiros que não conhecem a rotina interna do local. Mas, na prática, o sucesso de uma resposta a emergências depende do preparo dos próprios ocupantes.
O treinamento regular oferece algo que nenhum procedimento escrito alcança: a capacidade de agir rapidamente e com foco. Inclusive, a necessidade de Auto de Vistoria do Corpo de Bombeiros (AVCB) está diretamente conectada à existência de equipes capacitadas e protocolos claros. Sem esse preparo, a regularidade e a segurança ficam sempre em risco.
Norma NR 23: a referência nacional
Para formar qualquer equipe que lide com riscos de incêndio, é obrigatório seguir a Norma Regulamentadora 23 (NR 23), que define as orientações para prevenção e combate a incêndios em ambientes de trabalho. Nos meus estudos, vi que a NR 23 não apenas exige a presença de medidas como extintores, saídas de emergência e sinalização clara, mas determina também o envolvimento direto dos funcionários no preparo para agir em situações de perigo.
Entre as principais disposições da NR 23, destacam-se:
- Adoção de sistemas de alarme eficientes;
- Procedimentos de evacuação e treinamento periódico;
- Manutenção regular dos equipamentos de combate ao fogo;
- Divulgação das informações de emergência.
É esse conjunto de obrigações que transforma funcionários comuns em verdadeiros protetores do coletivo.
Como compor e estruturar uma equipe interna?
A seleção dos colaboradores deve considerar aptidão física, disponibilidade e, muitas vezes, perfil de liderança. Já acompanhei processos onde o erro foi delegar apenas por afinidade, sem olhar para as habilidades necessárias. O correto é promover um grupo heterogêneo, com representantes de diferentes setores e turnos, o que garante maior cobertura em qualquer cenário.
- Coordenador: responsável por organizar os treinamentos e liderar simulações;
- Combatentes: atuam diretamente na identificação e tentativa inicial de controle do incêndio;
- Equipe de apoio à evacuação: orientam pessoas a deixarem o ambiente de forma segura;
- Brigadistas de primeiros socorros: prestam suporte básico até a chegada dos bombeiros.
Durante a seleção, sempre recomendo considerar também quem já tem experiência anterior ou formação complementar (como curso de socorrista). Isso faz diferença na tomada de decisão.
O treinamento prático e teórico faz toda a diferença
Uma equipe bem formada só faz sentido se realmente treina. Os treinamentos, previstos na NR 23 e nas instruções técnicas dos Corpos de Bombeiros Estaduais, devem ser atualizados periodicamente. Eu assisti a várias aulas com brigadistas e aprendi que simulações reais, com cenários que simulam fumaça, alarmes e evacuação, marcam para sempre como reagir sob pressão.
Manter o treinamento prático frequente é o diferencial entre uma equipe que sabe como agir e uma que apenas “acha” que sabe.
Durante esses treinamentos, temas como uso correto dos extintores, leitura de hidrantes, atendimento a vítimas e estratégias de evacuação são abordados repetidamente.
A importância das inspeções regulares e equipamentos em ordem
Além do preparo humano, é constante a necessidade de manter todos os itens em pleno funcionamento. Aqueles que confiam apenas em “equipamentos novos” estão se iludindo. Eu já vi extintores vencidos, mangueiras com vazamento e saídas de emergência bloqueadas – riscos ocultos até que a necessidade bate à porta.
- Conferência da validade e pressão dos extintores;
- Teste das sirenes e do sistema de alarme;
- Verificação do acesso às rotas de fuga;
- Revisão das iluminações de emergência;
Essas ações, quando integradas à rotina operacional, fazem a diferença. Alguns concorrentes apostam apenas em inspeções eventuais, mas a prática mostra que só um sistema organizado garante proteção efetiva e histórica regularidade.
A colaboração dos moradores e dos funcionários em condomínios
No ambiente condominial, percebo que é fundamental mobilizar todos, não só quem veste o colete de brigadista. Quando morei em um condomínio, participei de um simulado onde a integração de todos surpreendeu positivamente. Esse espírito de cooperação multiplica a chance de sucesso em emergências reais.
Condomínios residenciais têm características específicas: alta rotatividade, diversidade de perfis e uso intenso de áreas comuns. Por isso, a equipe deve ser reforçada por comunicados constantes, reuniões e até avisos nas áreas de circulação, para lembrar a função de cada um diante de um alarme.
Os desafios de manter engajamento são recorrentes, mas a conscientização, quando trabalhada de forma coletiva e periódica, traz ótimos resultados.
O papel do brigadista: responsabilidades e limites
Na minha vivência, percebi que muitos acham que quem faz parte dessas equipes pode substituir bombeiros profissionais. Isso não é verdade. O papel do brigadista é sempre agir imediatamente até a chegada do apoio especializado, nunca assumindo riscos que exijam técnicas avançadas ou equipamentos específicos.
Entre as principais funções, estão:
- Reconhecer sinais de perigo e identificar focos de incêndio;
- Operar equipamentos básicos, como extintor, hidrante e alarme;
- Organizar a evacuação dos espaços;
- Prestar primeiros socorros básicos;
- Comunicar rapidamente os órgãos competentes.
Quando todos os envolvidos conhecem seus limites e obrigações, evitam-se erros que podem colocar vidas em risco.
Continuidade e reciclagem: formação nunca termina
Já percebi que, com o passar do tempo, os treinamentos vão perdendo força nos calendários das empresas e condomínios. No entanto, a requalificação anual, prevista em muitas normas estaduais, precisa ser encarada como prioridade. O cenário muda, o pessoal muda e até o layout dos ambientes passa por ajustes. Só renovando a formação a equipe se mantém realmente pronta.
Investir num ciclo de aprendizagem e reciclagem é o que mantém a equipe motivada e eficaz por muito tempo.
Obrigações legais e consequências de não cumprir
As exigências para formação dessas equipes não estão restritas ao ambiente industrial ou comercial. A legislação brasileira prevê que empresas de todos os portes, escolas, hospitais, shopping centers e, cada vez mais, condomínios residenciais, mantenham equipes treinadas e preparadas para emergências.
Os órgãos de fiscalização, principalmente os Corpos de Bombeiros, garantem que esse controle seja rigoroso durante as inspeções para a emissão de laudos e certificados, como o AVCB e o Certificado de Licença do Corpo de Bombeiros (CLCB). Caso queira saber como funciona o processo de licença dos bombeiros em São Paulo, indico conferir o passo a passo da emissão.
Negligenciar a regularização gera, além do risco à segurança, multas altíssimas e, em casos extremos, interdição das atividades. Um ponto delicado que sempre oriento é: mantenha todos os laudos e certificados atualizados, e exija isso inclusive dos fornecedores que atuam em seu prédio ou empresa.
Já observei concorrentes prometendo “soluções instantâneas” para certificação, mas, ao tentar pular etapas, o resultado pode ser perigoso e gerar consequências jurídicas graves. O diferencial está em adotar práticas regulares, planejadas e integradas ao dia a dia, sem improviso.
Medidas preventivas e primeiros socorros
Eu sempre digo que prevenção é o melhor caminho, e algumas práticas já deveriam fazer parte de qualquer organização:
- Evitar sobrecarga de tomadas e instalações elétricas improvisadas;
- Manter vias de circulação e portas corta-fogo desbloqueadas;
- Realizar rotinas de limpeza, evitando acúmulo de materiais inflamáveis;
- Reforçar instruções claras sobre como agir diante de alarmes;
- Capacitar todos sobre gestos de primeiros socorros.
Caso precise de informações detalhadas sobre exigências específicas para regularização de imóveis, saiba mais em como regularizar seu imóvel ou confira o guia completo da CND de Obra.
Quanto mais simples, claras e práticas forem as ações preventivas do dia a dia, maior a proteção de todos.
Conclusão
Ao refletir sobre tudo que já vi no campo da regularização e prevenção de incêndios, fica claro que investir em uma equipe bem treinada é uma escolha que salva vidas, preserva patrimônios e garante a tranquilidade legal. Não é preciso inventar moda ou buscar soluções milagrosas. O caminho mais seguro e legítimo é seguir a legislação, promover treinamentos contínuos, envolver todos os ocupantes e manter equipamentos em dia.
Quando comparo a trajetória de quem aposta em atalhos com aquelas organizações que valorizam o preparo e a regularidade, vejo que o resultado prático não deixa dúvidas. A excelência na condução dessas equipes faz toda a diferença, tanto na prevenção quanto diante do inesperado.
Perguntas frequentes sobre brigada de incêndio
O que é uma brigada de incêndio?
Trata-se de um grupo de pessoas treinadas para agir de forma rápida e coordenada em situações de incêndio, prestando primeiros socorros e ajudando na evacuação segura dos locais, até a chegada dos bombeiros. Essas equipes são compostas por voluntários ou funcionários, selecionados e capacitados de acordo com normas técnicas e legais nacionais.
Como formar uma equipe de brigada de incêndio?
Para montar uma equipe, é necessário identificar colaboradores com perfil adequado, promover treinamentos teóricos e práticos (segundo a NR 23) e manter registros atualizados dos participantes. É importante que a equipe cubra todos os turnos de funcionamento do local, sendo representativa dos diferentes setores do espaço.
Qual o custo para treinar brigadistas?
O investimento varia conforme o número de participantes e a carga horária dos cursos, além da localização e experiência do instrutor. Empresas muito grandes conseguem negociar valores menores por pessoa. O importante é garantir que o treinamento tenha certificado válido junto aos órgãos públicos. Em média, o custo pode oscilar de R$ 150,00 a R$ 500,00 por brigadista.
Quais são as funções de um brigadista?
Entre as atribuições do brigadista estão: identificar situações de risco, combater princípios de incêndio com equipamentos adequados, orientar a evacuação, prestar primeiros socorros básicos e manter a calma durante emergências, comunicando-se com eficiência com as autoridades e colegas.
Como manter a brigada de incêndio atualizada?
A manutenção da equipe atualizada depende de treinamentos periódicos, reciclagens anuais e participação em simulações práticas. Mudanças no quadro de pessoal, alterações no layout do prédio e revisões das normativas pedem atualização constante dos registros e do conhecimento do grupo.
O treinamento prático e teórico faz toda a diferença

